terça-feira, 31 de outubro de 2017

Caros amigos



 Aracaju, 26-10-2017.


 Caros amigos:


 Divulgo mais um fragmento da minha vasta biografia, que representa um cartão de visita.
 Ao completar 12 anos de idade eu já morava nesta capital com a minha mãe e oito irmãos que ela, sozinha, criou e educou.
 O Destino foi cruel com a maior estilista e professora de corte e costura de Sergipe, uma vez que a matou de câncer aos 42 anos.
 Nos primeiros dias da acima citada idade, fui matriculado numa escola de datilografia.  O curso era de um ano, porém, eu concluí em 3 meses.
 Já era o mais rápido datilógrafo do Brasil.
 A minha mãe me empregou num cartório importante, cujo nome do proprietário era Haráclito Barros.
 Durante um ano eu datilografei muitas escrituras volumosas, sem jamais cometer um erro datilográfico.
 Durante esse período o meu salário era de dez mil reis ao mês (uma mixaria).
 Então, o Destino permitiu que um famoso advogado de nome Alfredo Rollemberg Leite adentrar-se no cartório e me viu datilografar com a rapidez do relâmpago.
 Aproximou-se de mim, e perguntou:

 Você quer trabalhar comigo?
 Pagarei cem mil reis ao mês.

 Jubiloso com aquele inesperado acontecimento, que me permitia independência financeira aos 13 anos, aceitei o convite imediatamente.
 No dia seguinte a cadeira em que me sentava estava vazia.
 Em 1939, antes do início da Segunda Guerra Mundial, houve na Suécia um concurso de datilografia.
 O campeão foi um sueco.
 No Jornal do Comércio da cidade do Rio de Janeiro, que o meu patrão mantinha assinatura, eu colhia informações a esse respeito.
 Então, tomei conhecimento de quantos foram os toques do campeão.
 Coloquei papel na máquina para aferir a minha agilidade.
 Empatei com o vencedor.
 Lamento haver esquecido a quantidade dos toques.


            Edson Valadares

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