Aracaju,
1º de janeiro de 2016.
Meus estimados leitores.
Quando os fogos começaram a pipocar em
comemoração à chegada do Ano Novo e a iluminar o céu do nosso Brasil, uma ideia
sorrateira surgiu do meu estro com a intenção de ser revelada.
Ei-la.
Desde que nasci, aminha vida tem sido uma saga,
digna do deus Hércules.
Pareceu-me interessante a divulgação de
fragmentos dessa saga.
De logo, veio à tona esta lembrança.
Em 1936, eu completava 12 anos de idade.
Estudava nesta cidade em colégio particular.
Aqui havia uma escola de datilografia cujo nome
está cimentado na minha memória: Escola Olympia!
O curso demorava um ano, porém eu conclui em
três meses e já era o maior datilografo do Brasil, conforme constatei anos
depois.
Imediatamente, a minha mãe empregou-me num
cartório de propriedade de Heráclito Barros, o primeiro sujeito a me explorar.
Durante um ano eu datilografava volumosas
escrituras e outros documentos sem jamais haver cometido um erro datilográfico,
O meu ordenado era uma espécie de esmola: 10 mil
réis (moeda daquela época).
Ainda me lembro que a famosa cantora
brasileira, Bidu Sayão, cantaria no Teatro Rio Branco, sito à mesma rua do cartório.
O ingresso custava o meu ordenado de um mês.
Eu e muita gente, nos postamos do lado de fora
do teatro.
A voz da cantora era bela e alta.
Embora já decorridos 80 anos, ainda tenho a
impressão de estar ouvindo aquela voz de rouxinol.
Continuando a minha história infantil.
A minha escravidão completava um ano.
Entretanto, num certo dia, um advogado famoso entrou no cartório e me viu
datilografando uma escritura na velocidade do relâmpago.
Aproximou-se de mim e, em voz baixa,
perguntou-me: “Você quer trabalhar comigo? Pago 100 mil reis”.
No dia seguinte eu começava, contente e feliz,
no novo emprego.
A partir dos 12 anos de idade, a minha vida
financeira deu-me independência. Minha mãe dava-me apenas casa e comida.
Edson Valadares
Nenhum comentário:
Postar um comentário