Aracaju, noite de 9-7-2018.
JOACI GÓES.
No dia de hoje recebi duas correspondências
especiais.
Uma do rei da Espanha.
Outra de sua lavra.
A Deise leu-a e bateu palmas calorosas.
O Prêmio Nobel de 2018 foi adiado para juntar-se
ao Prêmio de 2019.
Veja que na história centenária desse prêmio,
jamais foram candidatos pai e filha.
Eu e a Deise agradecemos penhorados os seus
dizeres.
Li cinco vezes o seu e-mail, escrito no estilo
do mais alto nível.
Ao ler os dois volumes do livro de W.
Churchill, não me move a dúvida de que a sua arte de escrever é semelhante a
dele.
Lamento que você - o maior escritor do Brasil
- viva prisioneiro na Província.
Incluo nessa lista o saudoso Jarbas Passarinho,
recentemente falecido.
Tenho o sentimento de que eu escrevo na
velocidade da caneta, numa imitação a José de Alencar. Isso quer dizer que não
penso ao escrever em prosa ou quando componho um poema ou soneto.
A explicação me parece
simples. Observo a sentença de Goethe, a saber:
“ Aquilo que você
escreve
no momento da Inspiração,
não altere depois”.
O meu poema mais longo (62 versos) compus em
poucos minutos. Ao revisar, nada alterei.
Solicito me informar se está na sua biblioteca
o meu livro “CONTOS do SERTÃO”, certamente o livro mais bonito jamais publicado
no Brasil. A tiragem foi de 10
exemplares, ao custo de R$ 1.900,00.
Os contos são ilustrados a cores, e contém 40
fotografias do sertão nordestino.
Acha-se no prelo da TABA Cultural, editora
carioca, o volume I do livro intitulado CARTAS do BRASIL, de um total de nove,
somando em torno de 4.500 páginas.
Considero-o Marco Polo do século XXI. Fico
contente ao saber do seu prestígio junto à Marinha do Brasil.
Se o mestre visitar a cidade de Ilhéus,
convido-o a admirar a estátua da sublime poetisa grega Sappho, a única
existente nas 3 Américas.
Creio que você ficará perplexo! 100%
semelhante a Deise!
O saudoso Mário Cabral afirmava em carta que a
Deise seria Sappho reencarnada.
Eu não acredito (ainda) no sobrenatural, porém
aconteceu-me uma visão que me intriga, e me causa perplexidade.
Era madrugada. Eu dormia como uma pedra no
fundo do mar. De repente, senti batidas nos meus pés. Acordei, vi uma mulher
quase debruçada sobre mim, a qual falou e eu não compreendi o que dizia.
Vendo-me acordado, ela recuou de costas para
mim, atravessou a porta do quarto e sumiu-se.
Acontece que eu durmo num quarto escuro; a
porta encostada, porém vi o rosto e o corpo dela, nitidamente.
Na suposição de que se tratava de uma
brincadeira de uma das minhas filhas, levantei-me, abri a porta do quarto
delas. Estavam dormindo!
A mulher exibia uma cabeleira preta e
volumosa.
Embora descrente, um pensamento me diz que
aquela mulher misteriosa seria a própria morte.
Suspeitei que fosse um aviso, mesmo porque em
janeiro próximo eu completo 95 anos!!!
Outro assunto.
Tenho uns 14 livros volumosos para publicar.
Não viverei tempo suficiente.
A visão acima citada me persegue.
Na suposição de que
essa mulher venha me buscar a qualquer momento, sugiro que você solicite a
Deise a remessa dos meus livros ainda não publicados, examine se têm valor, e
os faça publicar.
A tiragem dos meus livros pela TABA é de
apenas 20 ou 30 exemplares.
Pergunto se eu lhe mandei o livro PENSAMENTOS,
etc. Engloba nove gêneros literários.
O meu livro de poesia pesa mais de 2 quilos.
Escrevi esta carta em
poucos minutos, e sem pensar. Desconfio que você encontrará alguns erros.
Efusivas saudações,
Edson Valadares
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