ANO 2011
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JULHO
11. Após uma semana de céu nublado e chuvoso,
uma frente fria baixou os termômetros para 7º centígrados.
O sol pediu uns dias de férias. Hoje, porém, de improviso, reapareceu para a
alegria da população.
Morrendo de frio, enclausurei-me no apartamento
onde passo uma temporada, sito na Ilha do Governador.
O Sol convidou-me a sair do claustro. Ainda faz um frio moderado.
O meu maior interesse situa-se no Centro da
cidade.
Numa imitação ao seu mais famoso cronista, João
do Rio, observo nas minhas andanças, a tipologia dos transeuntes, bastante
diferente dos filhos do Nordeste brasileiro.
Em média, constato que a população do Sudeste
é mais alta e mais robusta. E mais gorda
também.
Chama a minha atenção as muitas mulheraças, cujo
físico é capaz de meter medo a qualquer tarado.
Entro num enorme restaurante sito à Rua 7 de
Setembro. Ocupa dois andares de um
edifício. Sento-me à mesa, solicito ao
garçom, alto, de dois metros, um galeto, arroz a la grega e um copo de suco de
uva, que me custaram R$ 22,00.
No entretempo, os meus olhos percorriam o
recinto para examinar a fauna humana naquele momento faminta.
A maioria dos homens era obesa. As enormes barrigas simulavam mulheres
grávidas de até nove meses.
Calculei, a grosso modo, que 90% das mulheres
presentes eram obesas também.
Os fregueses do restaurante comiam avidamente. Para satisfazê-los, uma multidão de garçons
se movimentava apressada.
Levantei-me. Paguei a conta e fui percorrer a
histórica Rua 1º de Março. Visitar suas igrejas. No Centro da fantástica URBE o
passante pisa no coração pulsante da própria História do Brasil.
Na Praça XV, vê-se o palácio da Princesa
Isabel, onde, em uma de suas janelas, D. Pedro gritou:
“Digam ao povo que fico”.
Nessa rua está a imponente primeira catedral
da cidade, a sede primeira do Banco do Brasil e a sede do Correio.
Na Avenida Rio Branco, erguem-se os mais altos
edifícios do Rio, e os mais elegantes.
Esta crônica abrange apenas fragmentos desta
área da cidade.
Um grosso livro poderia ser escrito para
descrever todo o acervo daqui existente.
Exausto, tomo uma van, às 15 horas, e retorno
à Ilha.
12. Levanta-te do túmulo, oh João do Rio!
Convido-o a caminharmos juntos pelas
principais vias desta enigmática metrópole, no intuito de depararmo-nos com as inúmeras
singularidades que aqui acontecem.
Ainda estou sorrindo do que vi nesta manhã na
Avenida Presidente Vargas.
Como acontece sempre, o trânsito estava lento,
frequentemente engarrafado.
Na altura do edifício da antiga Central do
Brasil, que ostenta o maior relógio do mundo, de quatro faces, vi um fato
inusitado, digno de ser registrado nesta crônica.
Um indivíduo aparentando 25 anos, o torso nu,
puxava um carrinho de mão que o carioca apelida de “burro sem rabo”,
indiferente ao intenso frio e ao perigo do trânsito. Os pés descalços por
absurdo.
Sobre o inusitado veículo notava-se um
carrinho de bebê e um pequeno vulto dentro dele.
O ônibus emparelhou-se e, para o meu espanto,
o passageiro era um cachorro!
Para a minha estranheza, o grosso da população
veste-se de preto, insinuando que a cidade está de luto.
Diz-se que no inverno isso é moda nesta estranha
cidade onde acontecem as coisas mais incríveis.
E, de súbito, deu-me vontade de, pela primeira
vez comprar um terno preto.
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