terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Prezados leitores



Aracaju, 25 de janeiro de 2016.

Prezados leitores:

Este mês é muito especial para mim.
É que no dia 7 de janeiro de 1924, numa manhã de sol, na mansão da fazenda dos meus pais, sita no município de Simões Dias, Estado de Sergipe, pela primeira vez eu abri os olhos e, espantado, chorava.
Os anos passando vão...
A minha vida tem sido uma saga à semelhança de Odisseu, herói da Guerra de Tróia.
Agora, subo ao pico da montanha da minha existência, observo o universo e, a mim mesmo, pergunto: quem sou eu?
Veio-me à mente a imagem do Vesúvio, e eis a resposta à minha pergunta patética: “ Eu sou um vulcão que ora está em descanso e, num instante, entra em erupção.
A minha última erupção será a disputa do Prêmio Nobel deste ano.
Entretanto, se o Destino permitir que eu veja mais alguns crepúsculos, concorrerei novamente ao Prêmio Nobel enquanto pensar e respirar.


Edson Valadares

A ROLINHA FOGO-APAGOU



Aracaju, 25-01-2016.

Meus amigos:

Conforme compromisso assumido com vocês, me compraz dar-lhes conhecimento do poema A ROLINHA FOGO-APAGOU, o qual me parece o mais triste que nasceu no berço do meu estro.
Eu não invento os temas da minha poesia, uma vez que sou poeta concretista.
A minha principal fonte de inspiração é a Natureza, ou seja, o real, o verdadeiro.
A Natureza é, pois, a fonte onde nasce a minha inspiração.
Estre as centenas de poemas e sonetos que se encontram no meu livro “VERSOS no ESPELHO” – em digitação – predomina a morte e os seus mistérios.
Na hipótese de que algum crítico literário se digne opinar sobre a minha poesia, certamente me elegerá o “poeta da morte”.
Os temas morte, cemitério, tristeza, sofrimento e quejandos, deu fama a muitos poetas famosos.
O segredo está na estrutura e na beleza dos versos, de que somente os grandes poetas são capazes.

Edson Valadares

Nota – Acho que se Goethe e Shakespeare estivessem vivos, dariam a esses versos um turbilhão de aplausos.
A ROLINHA FOGO-APAGOU


Em seu carro de fogo,
no espaço passeava a aurora,
que ia apagando a luz das estrelas!
Os galos sopravam seus clarins
para o Sol despertar.
O Sol surgiu detrás de um monte,
onde uma rolinha cantava tristonha:
O fogo apagou! O fogo apagou!
Um canto triste, um canto de dor.
Deitada em seu ninho,
protegido de sombras,
chocava dois brancos ovinhos,
futuras rolinhas que cantariam
o fogo apagou! O fogo apagou!
E numa manhã brilhante,
um menino malvado,
ouviu o canto: O fogo apagou!
E, de um estilingue armado,
à rolinha uma pedra atirou!
E nunca mais, nunca mais,
se ouviu o canto triste:
O fogo apagou! O fogo apagou!



Ilhéus, 30/06/1999.

Meus amigos



Aracaju, 26-01-2016.

Meus amigos:

Os romancistas, os poetas, os compositores e os apaixonados elegem o coração como a fonte do amor.
Esta palavra de apenas quatro letras em português é também nos idiomas espanhol e inglês. Nada tem a ver com o nosso coração.
Um famoso cardiologista desta terra, que viveu mais de 30 anos na Suécia, onde foi professor universitário e cirurgião de transplante de coração, ensinou-me esta definição científica:
“O coração é uma pilha elétrica”.
Mas... a ignorância e o sentimentalismo vencem a ciência.

Edson Valadares

Caros leitores deste blog:

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