quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Meus caros amigos:



Aracaju, 31 de janeiro de 2016.

Meus caros amigos:

Vocês, através da internet, são o elo que me liga à literatura mundial.
Quase muito tarde, descobri que a arte literária era o meu destino.
Essa descoberta aconteceu-me ao completar 70 anos de idade.
Antes dessa idade, eu me dedicava ao estudo da Ciência Contábil.
Em janeiro de 1950, este filho do sertão do Estado de Sergipe, migrou para a cidade do Rio de Janeiro, que me pareceu tão grande como a Babilônia.
Em 2 de janeiro de 1951, eu fui selecionado para ocupar o cargo de Contador-geral de um banco carioca, sem nunca ter sido bancário.
A minha convivência com a literatura começou na idade de 26 anos.
Um vizinho, espírita, emprestou-me livros de autoria de Alan Kardec.
A doutrina espírita me seduziu, principalmente pela alta qualidade do estilo de seus autores.
Estimo que li uns 50 livros espíritas, ainda mais porque eu acreditava que essa doutrina poderia me mostrar o caminho da vida, da morte e da existência da alma.
Durante muitos anos seguintes passei a interessar-me pela Filosofia.
Iniciei-me com Platão e Aristóteles. No decorrer de muitos anos, devido a essa descoberta, li muitos livros da maioria dos mais famosos filósofos, especialmente Descartes e Voltaire.
Na procura da verdade sobre o meu destino após a morte, estudei cerca de dez Religiões.
Agora, aos 92 anos, julgo-me decepcionado.
Nem a Doutrina Espírita, nem a Filosofia e nem as Religiões esclareceram as minhas dúvidas.
Como cartesiano, continuo envolto nas brumas de Avalon.


Edson Valadares

Caros leitores:



Aracaju, 1º de fevereiro de 2016.


Caros leitores:


A tarde morre.
Observo, extasiado, o apagar das lâmpadas coloridas do crepúsculo.
As sombras da noite começam a cair.
Acendem-se as luzes da cidade.
A palavra não é suficiente para traduzir esse espetáculo fabuloso que a Natureza proporciona ao homem.
Essa tarefa, somente pode ser representada pelas palhetas e as tintas de um pintor genial.
A Natureza é um livro fantástico. A sua compreensão está além da nossa imaginação!
Aos 92 anos de idade, eu me sinto no apogeu do meu estro. A senilidade demora a surgir e apagar o meu pensamento!
Mas... como o crepúsculo, em breve as lâmpadas que iluminam o meu cérebro começarão, também, a apagar-se.
O meu consolo consiste em saber que até o Sol está condenado a apagar as suas fogueiras e, com ele, morrerá esta nossa Galáxia.


Edson Valadares
(poeta)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

DIÁRIO 28



DIÁRIO
2016
Janeiro


28         Quando perambulo pelas ruas desta cidade, sita no Nordeste do Brasil, observo a fauna humana que perpassa o meu caminho.
             Percebo tipos (homens e mulheres) que me causam espanto.
             Numa casa lotérica onde entrei à procura da sorte, encontrei uma mulher de baixa estatura, o seu quadril media mais de um metro. Calculei o seu peso em 150 quilos.
Cruzei com uma outra bastante singular.
Era tão baixa que me pareceu ser anã. Entretanto, era gorda como um hipopótamo.
Na rua mais movimentada do Centro da cidade, sento-me num banco e observo o desfile dos passantes.
Havia mais mulheres obesas do que magras.
Noutro dia, fui a uma clínica de olhos. Contei 20 mulheres: duas eram magras.
Observo o desfile dos homens.
Em sua maioria, são barrigudos; semelhantes a uma mulher grávida de nove meses.
Qual seria a causa dessa obesidade? Não sou médico, porém me arrisco a palpitar.
A causa principal me parece ser a gulodice e a alimentação em desacordo com as regras da nutrição.
Após duas horas de apreciação àquele desfile de pessoas heterogêneas, levantei-me e, pensativo, culpei o Ministério da Saúde por não deslanchar uma permanente campanha ensinando as pessoas a alimentar-se.
Outrossim, creio que a ANVISA deveria proibir a fabricação de alimentos prejudiciais à saúde humana.


Edson Valadares

Caros leitores deste blog:

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