quinta-feira, 25 de junho de 2020

OS CARANGUEIJOS



               SÁTIRA 
     OS CARANGUEIJOS
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UM GRUPO DE PARLAMENTARES REUNIU NUM MANGUEZAL, CENTENAS DE CARANGUEIJOS.
A PAUTA DESSA ASSEMBLEIA PREVIA A VOTAÇÃO DE UM PROJETO DE LEI SOBRE A REFORMA POLÍTICA.
 EM SUA TOTALIDADE, OS CARANGUEIJOS VOTARAM PELA REFORMA DA ATUAL CONSTITUIÇÃO, QUE RAPIDAMENTE ENVELHECEU.
 GRAVEMENTE DOENTE ESTÁ SOBREVIVENDO NA UTI DE UM FAMOSO HOSPITAL.



Aracaju, 20-10-2016


Edson Valadares
(Poeta, escritor e crítico literário.
Discípulo do inglês SWIFT)



SÁTIRA (O Banqueiro)


SÁTIRA
(O Banqueiro)



O banqueiro, no nosso querido Brasil,
é belo, rico, orgulhoso e varonil,
como o Papa, vive retirado,
para gozar do seu reinado!
Engorda, ele, de dinheiro o bolso,
e pode mandar o devedor ao calabouço!
O banqueiro é “barrigudo” como um Rei,
e o Banco Central ajuda à sua grei!
Tem vida faustosa de Marajá.
Sua fortuna não para de aumentar!
É mau patrão e usurário,
carrasco do pobre do bancário.
O banqueiro, como capitalista,
empresta a padre e a materialista.
É ele eterno parasita da nação,
desprovido de ética e de coração!
Como amigo dedicado aos poderosos,
não gosta de pagar os seus impostos!
O banqueiro é da Jangal lobo faminto,
e também tigre-asiático – se não minto –
Habita a densa floresta da espoliação
e jamais morrerá de sede ou inanição!
Esse gênio – espirito do mal,
nos derruba como um vendaval.
O banqueiro vive no Paraíso.
Só o incomoda quem não tem juízo.
Sem talento para ser escritor,
de poetas o banqueiro tem horror!
Os filhos não vão à pública escola.
Ao pedinte não dá pão nem esmola!
Banqueiro não sofre calor ou frio,
seja no inverno ou no estio.
Viaja de avião ou navio luxuoso,
levando a família e até o cachorro!
O banqueiro é exímio explorador:
Explora o comerciante, usineiro, agricultor.
Explora até o médico que o livra da dor!
Explora a própria mãe e o exportador,
sem piedade e sem o mínimo de amor!
Banqueiro come pão de trigo,
e o bancário come pão de milho.
O Banqueiro ignora do cliente a agonia,
e somente a perda de dinheiro aborrece sua senhoria!
Com a morte o banqueiro irá se haver,
e não adianta no dinheiro se esconder!
Esse homem sem justiça e desalmado,
um dia será defunto e condenado
a viver nas chamas do fogo eterno
que crepitam na fornalha do inferno!



Edson Valadares
(O único poeta satírico do
Brasil na atualidade)




Aracaju, 20/09/2013
(Quando o Sol desmaiava no poente!)

SÁTIRA (DEMOCRACIA E LIBERDADE)


SÁTIRA
(DEMOCRACIA E LIBERDADE)


Os Três Poderes pertencem às elites.
Apregoa-se que o Brasil é país democrático,
e que o povo é livre; goza de liberdade,
de direitos (só existentes na Constituição).
Tudo mentira! Nós, o povo, somos escravos.
Respiramos o ar impuro da demagogia.
No passado, os negros apanhavam no pelourinho;
hoje as polícias batem nos negros e nos brancos.
Os governantes ignoram os protestos do povo
em passeatas, sejam elas justas ou não.
Somos escravos de milhares de leis votadas
por políticos, representantes dos donos da Nação.
Somos escravos de códigos, regulamentos e portarias.
O Tribunal Eleitoral é uma ditadura
disfarçada em Órgão do Direito.
As proibições nas campanhas eleitorais
são de assustar um monge do Tibet.
O voto obrigatório, o Serviço Militar também.
O direito do povo é o de pagar impostos confiscatórios.
O Brasil deveria desenhar nova Carta Política.
Nessa Carta haveria apenas a Justiça Federal,
uma única polícia – a Federal –, os Estados extintos,
e transformados em Departamentos Federais.
A economia nesse sistema seria fantástica!
Não temos liberdade.
Somos oprimidos.
Somos escravos.


Aracaju, 22/12/2002.

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