quinta-feira, 25 de junho de 2020

SÁTIRA (DEMOCRACIA E LIBERDADE)


SÁTIRA
(DEMOCRACIA E LIBERDADE)


Os Três Poderes pertencem às elites.
Apregoa-se que o Brasil é país democrático,
e que o povo é livre; goza de liberdade,
de direitos (só existentes na Constituição).
Tudo mentira! Nós, o povo, somos escravos.
Respiramos o ar impuro da demagogia.
No passado, os negros apanhavam no pelourinho;
hoje as polícias batem nos negros e nos brancos.
Os governantes ignoram os protestos do povo
em passeatas, sejam elas justas ou não.
Somos escravos de milhares de leis votadas
por políticos, representantes dos donos da Nação.
Somos escravos de códigos, regulamentos e portarias.
O Tribunal Eleitoral é uma ditadura
disfarçada em Órgão do Direito.
As proibições nas campanhas eleitorais
são de assustar um monge do Tibet.
O voto obrigatório, o Serviço Militar também.
O direito do povo é o de pagar impostos confiscatórios.
O Brasil deveria desenhar nova Carta Política.
Nessa Carta haveria apenas a Justiça Federal,
uma única polícia – a Federal –, os Estados extintos,
e transformados em Departamentos Federais.
A economia nesse sistema seria fantástica!
Não temos liberdade.
Somos oprimidos.
Somos escravos.


Aracaju, 22/12/2002.

SÁTIRA (AO NORDESTE)


SÁTIRA
(AO NORDESTE)


Vivo prisioneiro neste Nordeste.
Terra esquecida até do vento leste.
Daqui Deus está ausente,
e só o Diabo se faz presente!

Aqui, até urubu passa fome;
a água é veneno, caso se a tome.
As ruas esburacadas como a Lua.
Os habitantes têm a alma nua!

O povo como e bebe religião.
A maioria se chama José e João.
A ignorância é o seu patrimônio,
o “grande chefe é Santo Antônio!”.


Ilhéus, 06-06-2002.

SÁTIRA (O POBRE)


SÁTIRA
(O POBRE)


No Brasil ser pobre é profissão.
O pobre mama nas tetas da Nação.
Tem camisinha, cesta básica,
médico, hospital, remédio de graça!

Os filhos estudam sem pagar
e ainda comem merenda escolar.
O transporte é também gratuito,
em ônibus vedado ao público.

O pobre recebe vale transporte,
viaja de graça do sul ao norte
e também não paga o caixão à Morte!

O pobre é sujeito felizardo;
na Terra tem tudo ao seu agrado.
Até por Deus tem lugar assegurado
no seu céu azul e estrelado!

Para gozar da vida eterna
e fugir das labaredas do inferno,
rogo que na próxima encarnação
como pobre, eu possa nascer nesta Nação!


Ilhéus, 2000.

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